domingo, 25 de dezembro de 2011

ARISTÓTELES : DISTINÇÃO ENTRE VIRTUDE E VÍCIO ÉTICA A NICOMACO, LIVRO II – 8



Antonio Durval Campelo Barauna

Luiz Ferreira de Souza




O presente trabalho aborda a distinção entre virtude e vício, feita por Aristóteles, no livro II, capítulo 8 da obra Ética a Nicomaco.





Na visão de Aristóteles, enquanto a virtude intelectual vem, via de regra, pelo aprendizado, requerendo, desta forma, tempo para desenvolver-se, a virtude moral é adquirida pelo hábito. O saber pouco ou nada conta na aquisição da virtude. É necessário a ação, o hábito, e o saber é adquirido por aprendizado, sendo compatível, portanto com a virtude intelectual. A prática desses atos deve nos indicar o caminho da moderação. Excesso ou falta, devem ser evitados. Segundo Aristóteles a ação virtuosa deve ser voluntária e não contemplar hesitação. O virtuoso não possui qualquer conflito moral. Tanto quer fazer o bem quanto o faz e a vida feliz é a vivida segundo a virtude. Uma conduta ou sentimento tido de forma deficiente ou excessiva torna-se um vício.

Ao fazer a distinção entre virtude e vício no capítulo 8 do livro II, Aristóteles afirma existirem três espécies de disposições, sendo duas delas vícios, que tratam de excesso e carência e uma terceira, virtude. A distinção é feita a partir da comparação entre cada uma delas e as outras duas, uma vez que ele afirma: "E cada uma delas, de certo modo, opõe-se às outras duas, pois as disposições extremas são contrárias tanto ao meio-termo quanto entre si, e o meio-termo é contrário às disposições extremas; do mesmo modo que o médio é maior em relação ao menor e menor em relação ao maior, tambem os estados medianos são excessivos em relação às deficiências e deficientes quando comparados com os excessos, seja nas paixões, seja nas ações".

Aristóteles contrapõe, desta forma, a posição da virtude, colocada em um “meio termo” hipotetico, aos vícios, por excesso ou deficiência. Para ilustrar o seu pensamento, diz que: "De fato, o homem corajoso parece temerário em relação ao covarde, e covarde em relação ao temerário; e do mesmo modo, o temperante parece um voluptuoso em relação ao insensível e insensível em relação ao voluptuoso, e o homem liberal parece pródigo em relação ao avaro e avaro em relação ao pródigo".

Segundo sustenta, a contrariedade maior ocorre entre os extremos das disposições e não destes em relação ao meio termo. O vício do excesso está, por exemplo, mais distante do da carência do que do meio termo. Quanto a esse meio-termo, o mais contrário, algumas vezes, é a falta, e às vezes o excesso. Aristóteles exemplifica dizendo que não é a temeridade, que é o excesso, mas a covardia, que é a deficiência, que mais se opõe à coragem, e no caso da temperança, o que lhe mais se opõe é a intemperança, um excesso, e não a insensibilidade, a falta.

Diz que isso ocorre pelo fato de um dos extremos estar mais próximo ao maio termo e mais assemelhar-se a ele, motivo pelo qual não opomos ao meio termo esse extremo, e sim o seu contrário. Exemplifica: "como a temeridade é considerada mais parecida com a coragem e mais próxima desta, e a covardia mais diferente, é este último extremo que opomos ao meio-termo, visto que as coisas que mais se afastam do meio-termo são consideradas como mais contrárias a ele. Esta é, então, a razão inerente à própria coisa".

A outra razão, para o autor, reside em nós mesmos, pois as coisas para as quais mais tendemos por natureza nos parecem mais contrárias ao meio-termo; por exemplo, tendemos mais naturalmente para os prazeres, e por isso somos levados mais facilmente à intemperança do que à moderação. Daí chamarmos mais contrários ao meio-termo aqueles extremos para os quais nos sentimos mais inclinados, e por isso a intemperança, que é um excesso, é mais contrária à temperança.



Referências


ARISTÓTELES. Ética a Nicômaco. In: Os Pensadores. São Paulo: Abril Cultural, 1984.

ARISTÓTELES. Ethica Nicomachea I 13 – III 8. Tratado da virtude moral. Tradução, notas e comentários de Marco Zingano. São Paulo, Ed. Odysseus. 2008.

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